Cunha Couto

Gestor de Crises

ONU/2023 e as principais crises globais

CCBlog 123

Das muitas notícias recebidas dos discursos e reuniões bilaterais havidas na última Assembleia Geral da ONU, destaco três temas que se apresentaram como crises globais: mudanças climáticas, desigualdade e a busca pela paz.

Ali estavam chefes de Estado e líderes mundiais de 193 países que, com suas visões estratégicas e poder de decisão, podem direcionar soluções para essas crises. Será que o farão?

A crise climática,  causada pela atividade humana, é real e urgente. Já há capacidade, mas faltam recursos para investimentos em tecnologias limpas e caminhos sustentáveis. 

Efeito estufa, derretimento do gelo nos polos, chuvas e calor extremos não são mais problemas do futuro. Esses eventos climáticos estão acontecendo em todo o nosso planeta, mas seus impactos são ainda mais sentidos nos países com comunidades pobres e vulneráveis, o que nos remete ao segundo tema: a desigualdade.

Vemos as desigualdades presentes entre países e dentro dos países. E os elevados riscos da desigualdade impactam outros temas, como a fome. 

Por isso, é preciso que os líderes se sensibilizem, especialmente com soluções para a desigualdade econômica. 

É um grande desafio da agenda internacional, como também o é o desafio pela busca da paz, que precisa deixar de ser um mero discurso e passar a ser um dever de todos nós.

O foco no evento foi o conflito Rússia-Ucrânia, que já ceifou mais de 500 mil vidas, mas há outras mais de dez áreas conflagradas no mundo, além de muitas, muitas crises humanitárias, tudo não condizendo com a paz.

O caminho do diálogo não é fácil, mas necessário para se alcançar a paz. Por essa razão, a mediação parece ser uma boa solução, trazendo os beligerantes à racionalidade de que uma negociação é mais barata que uma guerra e não há mortes. 

Há que haver um momento em que ambos contendores abram mão de parte de suas posições pelo bem comum.

Embora o cenário internacional tenha passado por alterações, o exercício da política externa necessita de certo pragmatismo que mantenha a estratégia de inserção dos países no sistema internacional, tendo como seus fundamentos os princípios da submissão ao Direito Internacional, da não-intervenção e não-ingerência nos assuntos internos de outros Estados, da autodeterminação dos povos, da igualdade jurídica entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos e da prevalência dos direitos humanos.

Trata-se de um belo posicionamento, mas que, para essa inserção mundial, exige poder e recursos para todos os tipos de segurança (energética, ambiental, alimentar etc).

É, pois, preciso sair do campo das ideias e nos referirmos à paz como um valor, valor a  ser compartilhado, diferente da definição, de Bobbio, de paz como ausência de guerra.

Coerente com isso, a proposta brasileira seria a busca pela paz através do diálogo e de mecanismos de soluções pacíficas de controvérsias. Terceiros se alinhariam para resolver conflitos, abrindo canais de comunicação. É claro que é tarefa difícil frente à complexidade que está em jogo em um conflito. 

Exemplo disso são as declarações, pelas redes sociais ,dos presidentes da Ucrânia e do Brasil, após esperado encontro nessa reunião da ONU.

“Após uma discussão honesta e construtiva, instruímos as nossas equipes a trabalhar nos próximos passos nas nossas relações bilaterais e nos esforços de paz”, disse Zelenski. 

“Não é apenas derrota do inimigo. É a construção de uma paz duradoura para que nunca mais aconteça uma ocupação territorial como fez a Rússia”, declarou Lula.

Acredito que valha a pena pensarmos mais a respeito da paz.

Encerro com a pergunta que fiz ao início: chefes de Estado e líderes mundiais, com suas visões estratégicas e poder de decisão, podem direcionar soluções para essas crises. Será que o farão?

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