Em 19 de agosto de 1953, o Irã viveu um acontecimento que ainda repercute em sua relação com o Ocidente. Uma operação conduzida pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido contribuiu para derrubar o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, democraticamente eleito, após a nacionalização da indústria petrolífera. O golpe restabeleceu o poder do xá Mohammad Reza Pahlavi e assegurou o retorno das empresas estrangeiras ao setor.
Último monarca da dinastia Pahlavi, o xá governava desde 1941. Por meio da chamada Revolução Branca, promoveu reformas econômicas e sociais, modernizou o país, privatizou setores e concedeu às mulheres o direito de voto. Ao mesmo tempo, aproximou-se dos Estados Unidos e de Israel, adotou uma política de secularização e alimentou a ambição de transformar o Irã em potência regional.
A modernização, porém, foi acompanhada de autoritarismo, corrupção e repressão conduzida pela SAVAK, a polícia política do regime.
O descontentamento alcançou religiosos xiitas, trabalhadores, comerciantes e setores nacionalistas, que viam o xá como representante de interesses estrangeiros.
Em 1979, a Revolução Iraniana derrubou a monarquia e instaurou a República Islâmica, liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.
A meu ver, compreender o Irã de hoje exige reconhecer as marcas de 1953. A interferência estrangeira enfraqueceu a confiança nas instituições democráticas e ajudou a alimentar o antiamericanismo que sustenta parte da política iraniana.
A história demonstra que intervenções externas podem alcançar objetivos imediatos, mas deixam ressentimentos capazes de atravessar gerações.