Cunha Couto

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Quem tem a melhor avaliação: EUA ou China?

A imagem internacional de uma potência constitui um ativo estratégico construído ao longo de décadas, mas capaz de se deteriorar rapidamente. Pesquisa do Pew Research Center, realizada com mais de 42 mil pessoas em 36 países, revela uma mudança histórica: a China passou a ser mais bem avaliada do que os Estados Unidos na maior parte das nações consultadas.

Nos vinte países acompanhados anualmente, a opinião favorável aos Estados Unidos caiu de 58%, em 2023, para 36%, enquanto a avaliação positiva da China subiu de 32% para 46%. Washington conserva vantagem significativa apenas na Índia, no Japão, nas Filipinas, na Coreia do Sul, em Israel e na Polônia. A perda norte-americana foi especialmente acentuada entre aliados tradicionais, como Canadá, Alemanha, França, Espanha e Austrália.

Os números, entretanto, não representam necessariamente uma vitória do soft power chinês. A ascensão de Pequim decorre mais do desgaste acelerado dos Estados Unidos do que de uma adesão mundial ao modelo político da China. Apenas 26% dos entrevistados consideram que o governo chinês respeita as liberdades individuais.

Os norte-americanos ainda alcançam 39% nesse quesito, embora também estejam em forte declínio. Até mesmo Xi Jinping inspira hoje mais confiança internacional do que Donald Trump: 31% contra 21%.

A meu ver, os Estados Unidos estão entregando à China uma vantagem que Pequim ainda não conquistou plenamente por seus próprios méritos. Quando uma potência abandona a previsibilidade, confronta aliados e enfraquece os valores que sustentavam sua liderança, perde sua maior força: a capacidade de atrair, inspirar e convencer sem precisar impor.

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