Cunha Couto

Gestor de Crises

Encouraçado Brasil

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Quando o nome de uma nação está em combate.

O Brasil, primeiro navio encouraçado da Marinha Imperial, nasceu da mobilização popular provocada pela Questão Christie. Financiado por subscrição pública, foi encomendado a um estaleiro francês em 1863, lançado ao mar no ano seguinte e entregue ao capitão-tenente Henrique Antônio Baptista em março de 1865.

Com o início da Guerra do Paraguai, a França, alegando neutralidade, tentou impedir sua partida. Sem marinheiros brasileiros e praticamente sem apoio, Baptista recrutou uma tripulação improvisada, formada por homens de várias nacionalidades. Depois de aparelhar discretamente o navio, deixou Toulon em 1º de julho, sob o pretexto de realizar testes de máquinas.

A travessia foi uma odisseia. O comandante acumulou as tarefas de navegação, vigilância e disciplina, enquanto sua esposa chegou a montar guarda armada durante seus raros momentos de descanso. Após enfrentar avarias, indisciplina e até a contaminação dos reservatórios de água, o Brasil chegou ao Recife e, em 29 de julho, ao Rio de Janeiro.

Incorporado à Esquadra, participou de combates decisivos, como Curupaiti, Humaitá, Timbó e Angustura, onde recebeu oito impactos inimigos. Encerrada a guerra, permaneceu em serviço até ser classificado como bateria flutuante, em 1879.

A história do encouraçado Brasil revela coragem, iniciativa e extraordinário senso de dever. Entretanto, dar o nome do próprio país a um navio de guerra envolve um sério risco estratégico: ele se torna alvo prioritário do inimigo, pois seu afundamento não representa apenas uma perda militar, mas um golpe simbólico destinado a abalar o moral de toda a nação combatente.

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