Cunha Couto

Gestor de Crises

Capacidade de governar

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Governar exige mais do que conquistar o poder e conservar uma maioria. Requer discernimento para definir prioridades, competência para executar decisões e responsabilidade para cuidar do futuro. Entretanto, quando a disputa política absorve toda a energia dos dirigentes, as necessidades da população ficam à espera.

Ruy Barbosa denunciou esse desvio ao afirmar que a capacidade dos estadistas se esvaía na intriga, na astúcia, na vingança, na tolerância com o abuso e no “desleixo do futuro”. A crítica, recolhida em Colunas de Fogo, permanece como advertência: salvar as aparências pode garantir a sobrevivência de um governo, mas não assegura o progresso de uma nação.

Fernando Pessoa também oferece uma reflexão sobre a autoridade: “Manda quem manda porque manda”. E acrescenta: “Todos são grandes quando a hora é sua”. Seus versos permitem questionar a grandeza atribuída a quem ocupa posições de comando ou de direção. O cargo confere autoridade, mas a qualidade do governante se revela nas escolhas, nos resultados e na maneira como trata os cidadãos.

A meu ver, a capacidade de governar deve ser medida pelo serviço prestado à sociedade. Quem transforma divergências em vingança e instituições em instrumentos pessoais enfraquece a confiança pública e agrava as crises.

Portanto, precisamos de dirigentes capazes de ouvir, corrigir erros e preparar o futuro. O poder passa; as consequências de seu exercício permanecem.

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