Taiwan segue como a linha vermelha entre EUA e China
Apesar da visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, que marcou um raro momento de distensão entre Washington e Pequim, por trás do ambiente cordial, Xi deixou explícito o ponto central da estratégia chinesa: Taiwan permanece uma “linha vermelha” inegociável. Pequim considera a ilha parte inseparável do território chinês e não descarta o uso da força para impedir qualquer movimento formal de independência.
O simbolismo da visita foi claro: apesar da rivalidade estratégica, as duas maiores potências do mundo desejam evitar uma ruptura aberta.
O problema é que uma ação militar contra Taiwan ultrapassaria o âmbito regional, pois os Estados Unidos mantêm compromissos estratégicos com aliados como Japão, Coreia do Sul e Filipinas.
Além disso, uma eventual omissão americana diante de uma anexação forçada comprometeria toda a credibilidade do sistema de alianças construído pelos EUA no Indo-Pacífico desde o pós-guerra.
Portanto, na prática, Taiwan tornou-se o ponto mais sensível da disputa entre EUA e China. Ambos sabem que um conflito ali seria devastador econômica e militarmente. Por isso, a retórica dura convive com esforços permanentes de diálogo.
Creio que Pequim continuará aumentando a pressão política, econômica e militar sobre a ilha, mas evitará uma invasão direta enquanto houver risco de confronto aberto com Washington. O verdadeiro equilíbrio atual não nasce da confiança entre as potências, mas do medo mútuo das consequências de uma guerra.