Cunha Couto

Gestor de Crises

Quem está ganhando a guerra? PARTE 3

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Putin ou líderes Ocidentais?

A Rússia vem tentando difundir que o “Ocidente se encontra em declínio e, portanto, está decadente”. Não funcionou, até agora…

Nesse discurso, Putin define, de forma clara, sua percepção de mundo; dá um recado de suas intenções para proteger territórios e populações que entende por russos; e deixa implícita a intenção de incremento populacional e de poder.

Certamente, o discurso foi uma peça de propaganda eleitoral que ajudou Putin a continuar um ditador, assumindo seu quinto mandato consecutivo.

Putin vende internamente a ideia de resgatar as glórias do passado, o que agrada ao povo russo, que parece preferir o prometido resgate da grandeza russa até mesmo à Democracia, que, na verdade, nunca conheceu…

Putin sabe bem explorar as “fraquezas democráticas”, bem como as incapacidades de lideranças ocidentais atuais.

Em 2014, Putin invadiu a Crimeia. A reação ocidental? Algumas sanções econômicas irrelevantes. Na prática, a Europa Ocidental se tornou, desde então, a maior importadora de petróleo e gás russos.

Há dois anos, vários analistas desdenharam da Rússia na invasão da Ucrânia, uma guerra que trouxe novidades (como o emprego de drones aéreos e navais), mas igualmente métodos antigos.

Nessa guerra, tecnologias de ponta aplicadas em armas dos membros da Otan na Ucrânia têm esbarrado nos velhos usos russos de trincheiras e de tanques.

No início do conflito, narrativas se referiam à Rússia como incapaz de produzir, por muito tempo de combate, armamentos, combustíveis, alimentos e suprimentos em geral, bem como entregá-los às suas tropas na vizinha Ucrânia. Nesse período, a logística russa apresentou problemas e foi colocada em xeque.

Naquele momento, era dado como certa a derrota russa, apesar de aquele país ser o segundo maior produtor e exportador de armas, além de haver enorme malha rodoferroviária conectando a Rússia à Ucrânia, garantindo, assim, o fluxo logístico.

Essa perspectiva desconsiderou as assimetrias de poder econômico e militar entre os contendores e não levou em conta que Índia, Irã, China e Coreia do Norte iriam suprir a Rússia, bem como que outros países, por variados motivos, não iriam aderir ou burlar embargos e sanções.

Os combates prosseguiram, com mais vitórias do que derrotas russas, e parece que a Rússia continuará agindo como quiser na Ucrânia, pois sabe que, ao contrário de declarações do presidente Macron, o Ocidente não enviará tropas para esse conflito.

Resta saber se a Rússia se contentará apenas com partes da Ucrânia já conquistadas ou se almeja todo o país. Ou, ainda, outros países da ex-União Soviética.

Na outra ponta, se dizia que EUA e Europa não conseguiriam fabricar armas suficientes para suprir o ritmo de batalha imposto pela Rússia na Ucrânia. Logo esses países que estão no topo de produção e exportação de armas, bem como de orçamentos de Defesa e de mobilização de suas indústrias.

Tanto é assim que a UE recém aprovou ajuda de US$54bi para a Ucrânia; o Canadá US$ 2bi; o Reino Unido US$284 mi e, agora os EUA US$61bi. É ajuda considerável, pois representa 2/3 do PIB ucraniano.

No entanto, há dúvidas se esses recursos serão aplicados integralmente ao fim a que se destinam e se esses recursos superarão as assimetrias de recursos humanos entre os dois países.

Em resposta a toda essa doação ocidental, a Rússia intensificou seus ataques a infraestruturas críticas ucranianas, debilitando ainda mais o país.

Os líderes ocidentais, por sua vez, não conseguem alinhar um discurso e se contradizem em público.

Isso porque as nações ocidentais, democracias, com líderes sujeitos a processos eleitorais regulares, povos diferentes, têm dificuldade em chegar a uma posição comum. O que não significa que permitirão uma ameaça à integridade de todos como a da Rússia sob a liderança de Putin.

Certamente a Rússia não tem poder militar para enfrentar a Otan, mas pode ameaçar destruir o mundo pelas armas nucleares. Esse temor é com que Putin joga, deixando clara a possibilidade de utilização de armas nucleares em caso de intervenção militar da Otan.

Blefe? Talvez.

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