Cunha Couto

Gestor de Crises

O bom gestor na crise

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A proibição das apostas on-line coloca à prova gestores de setores que passaram a depender dos recursos das bets.

No futebol, a reação dos clubes à decisão do governo revela o quanto esses patrocínios se tornaram relevantes para seus orçamentos. A perda de receitas exige respostas, mas também uma avaliação das escolhas que produziram tamanha dependência.

Será que não existem alternativas? Como os clubes se sustentavam antes da chegada das casas de apostas? A dimensão atual dos gastos pode dificultar a comparação, mas não elimina a necessidade de diversificar patrocinadores, valorizar outras receitas e ajustar despesas. Ou seja, recursos abundantes não dispensam planejamento; ao contrário, exigem prevenção para o dia em que deixarem de existir.

Do outro lado, estão famílias cujos orçamentos sofrem com as apostas. O debate ultrapassa os campos e as camisas dos times: envolve endividamento, sofrimento e consequências para a saúde e as relações familiares. Assim sendo, a receita de uma organização não precisaria ser examinada também à luz dos custos sociais da atividade que a financia?

A meu ver, o bom gestor se revela quando a receita fácil desaparece. Cabe-lhe antecipar riscos, construir alternativas e adequar compromissos à realidade. Defender a instituição é legítimo; colocar sua conveniência financeira acima do bem-estar da população é perder de vista a responsabilidade de liderar.

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