A viagem de Dom Pedro I a São Paulo, em 1822, para a proclamação da Independência acabou marcando também um episódio importante de sua vida pessoal. Foi nesse percurso, e posteriormente em Santos, que ele conheceu Domitila de Castro do Canto e Melo, mulher que se tornaria sua amante mais famosa e, para muitos historiadores, o grande amor de sua vida.
Domitila, no entanto, nunca teve ligação direta com a cidade de Santos. O título de Marquesa de Santos foi concedido por D. Pedro de maneira estratégica e provocativa. Antes, ela já havia recebido o título de viscondessa. A escolha de “Santos” para identificá-la tinha um claro significado político: atingir os irmãos Andrada, especialmente José Bonifácio de Andrada e Silva, que naquele momento já havia rompido politicamente com o imperador.
Isso porque a cidade de Santos era conhecida como a “terra dos Andrada”, berço da família e símbolo de sua influência política. Ao transformar Domitila em Marquesa de Santos, D. Pedro não apenas homenageava sua companheira, mas também enviava uma mensagem direta a seus adversários.
O episódio mostra como, no Império, a vida pessoal e a política estavam profundamente misturadas. Títulos de nobreza, que deveriam representar prestígio e reconhecimento, muitas vezes eram usados como instrumentos de disputa, vaidade e provocação.