Como um gargalo pode afetar a economia mundial.
O Estreito de Ormuz voltou ao centro da geopolítica internacional. Por essa estreita passagem entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no planeta. Sempre que a tensão entre Irã, Estados Unidos e Israel se intensifica, o risco de restrições à navegação transforma esse corredor marítimo em um dos principais fatores de instabilidade para a economia global.
O Irã utiliza, há décadas, a ameaça de bloquear Ormuz como instrumento de dissuasão estratégica. Hoje, entretanto, o cenário tornou-se mais complexo. Em vez de um confronto naval convencional, o desafio decorre do emprego de drones, mísseis antinavio, minas marítimas e embarcações rápidas, capazes de elevar os custos dos seguros, afastar armadores e comprometer o fluxo comercial sem a necessidade de um bloqueio total.
Os impactos, porém, vão muito além do Oriente Médio. Países dependentes das importações de energia, como Coreia do Sul, Japão e economias europeias, enfrentam o dilema de preservar sua segurança energética sem comprometer suas alianças estratégicas com Washington. Já produtores como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aceleram investimentos em oleodutos e rotas alternativas que reduzam sua dependência do estreito, enquanto Iraque e Kuwait permanecem vulneráveis por disporem de poucas opções logísticas.
O Estreito de Ormuz confirma, assim, uma antiga lição da geopolítica: quem controla os gargalos do comércio mundial exerce influência muito além de seu poder militar convencional. Portanto, a verdadeira disputa não é apenas pelo petróleo, mas pelo controle das rotas que sustentam a economia internacional.
Minha impressão é que a crise atual acelerará os investimentos em diversificação energética e em corredores alternativos, mas Ormuz continuará, por muitos anos, sendo um dos principais termômetros da estabilidade estratégica mundial.