Em 13 de setembro, celebra-se o Dia Nacional da Cachaça, data que recorda a liberação da fabricação e da comercialização da bebida no Brasil, em 1661. Mais do que uma curiosidade histórica, a comemoração remete a uma crise política e econômica provocada pelas restrições impostas pela Coroa portuguesa aos produtores da Colônia.
A cachaça conquistara espaço entre a população e concorria com a bagaceira e os vinhos portugueses. Para proteger esses produtos e aumentar a arrecadação, Portugal proibiu sua fabricação e elevou os impostos sobre os engenhos. A medida atingiu especialmente os produtores da antiga Freguesia de São Gonçalo, área correspondente aos atuais municípios de São Gonçalo e Niterói.
Após meses de articulação na fazenda de Jerônimo Barbalho Bezerra, os revoltosos ocuparam o Rio de Janeiro, em novembro de 1660, exigindo o fim das taxas e a restituição dos valores cobrados. As casas do governador foram saqueadas, e Agostinho Barbalho foi aclamado para governar a capitania.
A chamada Revolta da Cachaça terminou em abril de 1661, com a retomada da cidade pelas forças governistas. Seus líderes foram presos, e Jerônimo Barbalho foi condenado à morte. Ainda naquele ano, contudo, a Coroa revogou as restrições e autorizou a produção da bebida.
A meu ver, o episódio demonstra que decisões econômicas tomadas sem avaliar seus impactos podem transformar uma questão tributária em uma grave crise política. Prevenir crises exige diálogo, conhecimento da realidade e capacidade de corrigir medidas antes que a insatisfação se converta em revolta.