Ao longo dos 12 anos em que estive à frente do Gabinete de Crises da Presidência da República, uma lição tornou-se clara: a diversidade nas equipes amplia a qualidade das decisões em ambientes de alta pressão. Nesse contexto, a participação feminina revelou-se particularmente valiosa. Cerca de 60% dos integrantes do gabinete eram mulheres, cuja atuação frequentemente se destacava pela capacidade de integrar informações dispersas, identificar sinais precoces de agravamento das crises e construir respostas a partir de uma visão multidisciplinar.
Evidentemente, competência não é atributo de gênero. Entretanto, a experiência demonstra que muitas mulheres reúnem características especialmente úteis para o gerenciamento de crises. A escuta atenta, a sensibilidade para perceber nuances, a disposição permanente para aprender, a habilidade de promover consensos e a visão sistêmica contribuem para avaliações mais completas e decisões mais equilibradas em cenários marcados pela incerteza e pela pressão do tempo.
Outro aspecto relevante é o investimento contínuo em capacitação. Em minha experiência, as mulheres demonstram forte compromisso com o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, fator que fortalece sua atuação em funções de liderança e na coordenação de equipes multidisciplinares.
Minha vivência profissional leva a uma conclusão objetiva: organizações que desejam elevar sua capacidade de prevenir, responder e superar crises devem incentivar a diversidade e ampliar a presença feminina em posições estratégicas. Em um ambiente de riscos cada vez mais complexos, valorizar o talento das mulheres não representa apenas um compromisso com a equidade, mas uma escolha inteligente de gestão, capaz de tornar as instituições mais resilientes, inovadoras e preparadas para enfrentar o inesperado.