Cunha Couto

Gestor de Crises

Ameaças aos cabos submarinos

Design sem nome (86)

Mais de 90% dos dados internacionais circulam por cabos submarinos, verdadeiras artérias da sociedade digital. Apesar dessa importância, essas estruturas permanecem vulneráveis a acidentes, ações criminosas e operações de sabotagem cuja autoria é difícil de atribuir.

Recentemente, dois cabos de fibra óptica sofreram falhas sucessivas dentro de uma zona federal de proteção, nas proximidades de Perth, na Austrália. No mesmo período, um navio-tanque administrado por uma empresa dos Emirados Árabes Unidos realizou movimentos incomuns, cruzando repetidamente a área dos cabos. A coincidência levou a operadora Subco a solicitar uma investigação da Polícia Federal Australiana. Somente uma inspeção física poderá determinar, porém, se os danos foram provocados pelo arrasto de uma âncora ou por outra causa.

O episódio despertou especial preocupação porque apenas 16 cabos ligam a Austrália ao restante do mundo e transportam 99% de suas comunicações internacionais.

Ocorrências recentes no Mar Báltico e nas proximidades de Taiwan reforçam o temor de que Estados possam testar ataques contra essa infraestrutura como instrumento de guerra híbrida, causando grandes prejuízos sem assumir sua autoria.

Não por acaso, o Irã ameaçou romper cabos submarinos na região conflagrada do Estreito de Ormuz.

A meu ver, os cabos submarinos já não podem ser tratados apenas como ativos comerciais. Sua vigilância exige integração entre governos, Marinhas, operadores e serviços de inteligência, além de rotas redundantes e capacidade rápida de reparo. Proteger essas conexões é defender a soberania, a economia e o funcionamento cotidiano das nações.

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