Cunha Couto

Gestor de Crises

As guerras estão se aproximando de nós

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A humanidade mantém uma relação contraditória com a guerra. Embora reconheça seu caráter trágico, transforma conflitos em filmes, livros e jogos de enorme popularidade.

A historiadora canadense Margaret MacMillan, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo (1º/9/2026), com o título de seu livro, lembra que as guerras acompanham as sociedades desde os primeiros assentamentos, contribuindo para a formação dos Estados, o desenvolvimento tecnológico e profundas transformações sociais.

Durante décadas, habitantes das Américas, da Europa e de parte da Ásia acreditaram viver uma “longa paz”, iniciada em 1945. Essa percepção, porém, ignorou conflitos devastadores na Coreia, no Vietnã, no Oriente Médio e em outras regiões.

Por outro lado, a guerra na Ucrânia, a instabilidade no Irã, a expansão dos nacionalismos e a competição entre grandes potências demonstram que os conflitos estão cada vez mais próximos, inclusive por seus efeitos econômicos, energéticos e humanitários.

Entendo que a guerra não é inevitável, mas uma escolha política. Líderes podem utilizá-la para alcançar objetivos territoriais, econômicos ou pessoais, frequentemente subestimando sua duração e suas consequências. O perigo aumenta com a proliferação nuclear, a corrida armamentista e a possibilidade de acidentes ou erros de avaliação provocarem uma escalada incontrolável.

A meu ver, os sinais atuais exigem preocupação, e não conformismo.

Fortalecer a diplomacia, reformar a ONU — inclusive com a presença permanente do Brasil e da Índia no Conselho de Segurança — e recuperar a cooperação internacional são medidas indispensáveis e urgentes.

É sabido que a guerra pode produzir avanços tecnológicos, mas nenhum progresso justifica o desperdício de vidas, a destruição de sociedades e o sofrimento de milhões de inocentes.

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