A parceria entre uma das principais universidades públicas brasileiras e a Marinha do Brasil completou 70 anos, consolidando-se como um dos mais duradouros acordos de cooperação científica e tecnológica do País. A iniciativa integra conhecimento acadêmico, formação profissional e demandas estratégicas, contribuindo para a segurança nacional e para a redução da dependência de tecnologias estrangeiras.
A cooperação teve início na década de 1950, quando a Força Naval optou por formar seus engenheiros em uma instituição universitária já reconhecida, em vez de criar uma estrutura própria de ensino. A decisão aproximou os ambientes militar e acadêmico e favoreceu, entre outros resultados, a formação dos primeiros engenheiros nucleares militares graduados integralmente no Brasil.
Ao longo das décadas, o acordo produziu realizações relevantes. Nos anos 1970, possibilitou o desenvolvimento do Patinho Feio, considerado o primeiro computador brasileiro. Durante a pandemia de covid-19, pesquisadores das duas instituições criaram, em curto prazo, um ventilador pulmonar nacional. Mil unidades foram fabricadas e distribuídas gratuitamente a 219 municípios de 16 estados.
A celebração destacou também os desafios das tecnologias emergentes, que exigem liderança, decisões baseadas em evidências e integração entre academia, Forças Armadas e indústria.
Em minha opinião, essa trajetória demonstra que a soberania não nasce de discursos, mas de investimentos contínuos em ciência, educação e cooperação institucional, capazes de transformar conhecimento em benefícios concretos para a sociedade.