Cunha Couto

Gestor de Crises

O fator humano na gestão dos riscos

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A escalada das tensões no Estreito de Ormuz voltou a expor a vulnerabilidade de uma das principais rotas marítimas do mundo. O debate costuma privilegiar os riscos de guerra, o aumento dos seguros, as sanções econômicas e os impactos no comércio.

Entretanto, por trás de cada decisão de manter um navio em operação, alterar sua rota ou retardar uma viagem, existem comandantes, tripulações e gestores submetidos à pressão e à incerteza.

Muitos acidentes marítimos não resultam de uma falha catastrófica isolada, mas da sucessão de pequenos erros: um procedimento apressado, um alerta ignorado, a fadiga, a distração ou o receio de contestar uma ordem inadequada. Separadamente, esses fatores parecem irrelevantes; combinados, podem produzir consequências desastrosas.

A crise em Ormuz também mostrou que a questão não se resume à existência de cobertura securitária. Os seguros continuaram disponíveis, embora mais caros. O verdadeiro dilema era operacional: o risco imposto às embarcações e às pessoas justificava prosseguir?

O seguro protege o patrimônio e indeniza perdas, mas não substitui o julgamento profissional nem elimina os perigos da navegação.

Por isso, a prevenção passou a incorporar psicologia, ciências comportamentais, saúde mental e bem-estar das tripulações. Além das normas, é preciso avaliar se elas serão cumpridas sob cansaço, tensão ou abalo emocional. O compartilhamento de informações entre seguradoras, armadores, autoridades e sociedades classificadoras também transforma incidentes em aprendizado coletivo.

Em minha opinião, Ormuz confirma uma verdade frequentemente esquecida: a segurança marítima depende, sobretudo, da qualidade das decisões humanas. Investir nas pessoas, na prevenção e na cultura de segurança custa menos do que administrar tragédias.

No mar, a melhor indenização continua sendo o acidente que nunca aconteceu.

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