Segundo a Foreign Affairs, a geopolítica contemporânea está testemunhando o surgimento de uma nova forma de cooperação entre potências: uma convergência estratégica dos adversários dos Estados Unidos.
China, Rússia, Irã e Coreia do Norte não constituem uma aliança militar formal, nos moldes da OTAN. Ainda assim, a intensificação de suas relações políticas, militares, tecnológicas e econômicas vem alterando o equilíbrio estratégico internacional e ampliando os desafios enfrentados pelos Estados Unidos e por seus aliados.
Nos últimos meses, sucessivos encontros de alto nível entre Xi Jinping, Vladimir Putin e Kim Jong Un, somados ao apoio indireto de Pequim e Moscou ao Irã durante o conflito com Israel e os Estados Unidos, evidenciam uma crescente coordenação de interesses. Em vez de um pacto multilateral rígido, essas potências preferem uma rede de acordos bilaterais, mais flexível, discreta e adaptável às necessidades de cada momento. Essa arquitetura dificulta sua identificação, reduz custos diplomáticos e torna mais complexa qualquer tentativa de isolamento por meio de sanções.
As implicações são profundas. Conflitos regionais tendem a produzir apoio cruzado entre esses países, seja por transferência de tecnologia militar, compartilhamento de inteligência, comércio estratégico ou fornecimento de equipamentos.
Além disso, aumenta significativamente o risco de crises simultâneas em diferentes teatros de operações, obrigando Washington a dividir recursos e atenção diante de múltiplos desafios.
Acredito que os Estados Unidos dificilmente conseguirão desfazer essa convergência enquanto as atuais lideranças permanecerem no poder. A alternativa passa por fortalecer alianças, ampliar a cooperação de inteligência e impedir que essa rede se expanda para outros atores relevantes do sistema internacional.
Portanto, o maior erro estratégico seria esperar o surgimento de uma aliança formal para reconhecer a dimensão dessa ameaça. Isso porque as guerras do século XXI tendem a ser travadas por redes de cooperação flexíveis, nas quais a coordenação importa mais do que tratados. Compreender essa transformação será decisivo para preservar o equilíbrio internacional e reduzir o risco de uma escalada global.