Cunha Couto

Gestor de Crises

A crise de imagem

Design sem nome (66)

Ao longo de algumas décadas, a imagem internacional dos Estados Unidos oscilou entre períodos de prestígio e momentos de forte desgaste.

As guerras do Iraque e do Afeganistão, durante o governo de George W. Bush, e a política mais isolacionista do primeiro mandato de Donald Trump reduziram a popularidade americana, mas o país sempre conseguiu recuperar parte de seu capital político graças ao peso de suas instituições, de sua democracia e de seu reconhecido soft power.

Entretanto, segundo a Foreign Affairs, o cenário parece diferente desde 2025. Na política internacional, a imagem deve ser entendida como um ativo estratégico, construído lentamente e que pode ser perdido com rapidez.

Recentes pesquisas internacionais apontam uma deterioração da percepção global sobre os Estados Unidos. Além das críticas às atuais políticas migratórias, tarifárias e ao uso da força militar, cresce a impressão de que o modelo democrático americano enfrenta dificuldades.

Essa mudança decorre de disputas comerciais e de ameaças até mesmo contra aliados tradicionais, alimentando a percepção de um país menos previsível e mais orientado pela lógica do poder do que pela construção de consensos.

Como consequência, observa-se uma diminuição da confiança internacional na capacidade americana de liderar coalizões e de defender os valores que constituíram sua principal fonte de influência global.

Portanto, a lição é que nenhuma grande potência sustenta sua liderança apenas pela força econômica ou militar. O poder duradouro depende da credibilidade, da coerência entre discurso e prática e da capacidade de inspirar confiança.

Quando o hard power passa a eclipsar o soft power, até mesmo a mais poderosa das nações corre o risco de ver sua influência internacional diminuir e sua imagem ser arranhada.

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