Cunha Couto

Gestor de Crises

Racismo contra casal Obama

Design sem nome (31)

É nas crises que o governante (ou CEO de uma empresa) é colocado à prova, e seu comportamento diante delas revela se se trata de um ator dotado de decoro e, sobretudo, de respeito pelo cargo que ocupa. É disso que estamos tratando.

O comportamento de Trump até aqui, valendo-se de postagens nas redes sociais, aproxima-se do que ainda se observa em regimes autoritários.

O mais recente episódio envolvendo Donald Trump expõe uma fronteira sensível entre liberdade de expressão e responsabilidade institucional. Um vídeo de conteúdo racista, no qual Michelle e Barack Obama foram retratados de forma ofensiva, foi publicado em sua rede social. Questionado, Trump afirmou que não se desculparia, alegando não ter assistido ao material até o fim e atribuindo a postagem a terceiros. O conteúdo acabou removido, sob a justificativa de “erro de um assessor”.

O debate rapidamente evocou a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, frequentemente invocada para proteger discursos controversos — inclusive manifestações de teor racista. Do ponto de vista jurídico, a liberdade de expressão possui amplitude considerável no país. Contudo, o ponto central não é apenas legal. Trata-se de responsabilidade política.

Quando uma mensagem é publicada em um canal oficial de um governante, ela deixa de ser opinião privada e passa a carregar peso institucional. Redes sociais de autoridades não são espaços neutros de entretenimento; são extensões do poder. Cada postagem comunica valores, prioridades e limites éticos do governo.

Barack Obama, em tom sereno, lamentou o “circo nas redes sociais” e recordou que ainda há americanos que prezam a decência e a cortesia. A reação contrastou com o episódio e reforçou o simbolismo da situação.

Portanto, crises revelam o caráter do decisor. É nesses momentos que se mede o respeito ao cargo e às instituições. Invocar a liberdade de expressão para justificar ofensas raciais pode ser juridicamente possível, mas politicamente empobrece o debate público e fragiliza a autoridade moral de quem governa.

Enfim, liderança exige mais do que poder: exige exemplo.

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