Celebrado em 25 de janeiro, o Dia do Carteiro — ou Dia dos Correios e Telégrafos — remete a uma história silenciosa, porém decisiva, da formação do Brasil.
A data recorda a criação, em 1663, do cargo de Correio-mor da Monarquia Portuguesa no Brasil, função essencial para integrar territórios distantes por meio da comunicação escrita. Décadas antes, em 1606, Luiz Gomes da Matta havia adquirido do rei Felipe II o ofício de Correio-mor, inaugurando uma estrutura que se tornaria vital para a administração colonial.
Em 1663, seu neto foi nomeado o primeiro Correio-mor do Mar, responsável pela troca de correspondências entre as colônias e a Corte portuguesa. Em um mundo sem telégrafo, telefone ou internet, cartas eram instrumentos de poder: levavam ordens, notícias, decisões e, por vezes, mudavam o rumo da história.
Foi exatamente esse o caso em 1822. Coube ao “carteiro da Independência”, Paulo Emílio Bregaro, oficial do Tribunal Militar, entregar as correspondências que influenciaram a decisão de Dom Pedro I de proclamar a Independência do Brasil em 7 de setembro. Por esse papel simbólico e concreto, Bregaro tornou-se patrono dos Correios, sendo lembrado inclusive em uma rua do bairro do Ipiranga, em São Paulo.
A história do carteiro nos lembra que a Independência não foi apenas um grito, mas também uma mensagem entregue no tempo certo. Valorizar os Correios é reconhecer que soberania, ontem como hoje, passa pela capacidade de comunicar, integrar e fazer chegar decisões a todo o território nacional.