Cunha Couto

Gestor de Crises

Luta contra o ódio

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Embora pouco conhecido, o dia 9 de novembro é o Dia Internacional contra o Fascismo e o Antissemitismo, uma data de memória e alerta diante de uma história profundamente marcada pelo ódio.

Instituída pelo Parlamento Europeu, a efeméride remete a um dos episódios mais sombrios do século XX: a chamada Noite dos Cristais, ocorrida na Alemanha em 9 de novembro de 1938. Naquela noite, ruas amanheceram cobertas por estilhaços de vidro das vitrines, casas e sinagogas judaicas destruídas por ataques coordenados, incentivados pelo regime nazista. Não se tratou de um ato isolado de violência, mas de um marco simbólico da institucionalização do ódio.

A Kristallnacht representou a passagem da perseguição retórica para a violência aberta e sistemática contra judeus. Milhares de estabelecimentos foram saqueados, centenas de sinagogas incendiadas, e pessoas foram assassinadas, presas e humilhadas publicamente.

A partir daí, o antissemitismo deixou de ser apenas uma ideologia de exclusão e tornou-se política de Estado, abrindo caminho para o Holocausto, que vitimou milhões de pessoas em campos de extermínio. A lição histórica é clara: o ódio, quando normalizado, tende a escalar.

Recordar essa data não é, portanto, um exercício de nostalgia trágica, mas um compromisso com a vigilância democrática.

Em tempos de discursos extremistas, desinformação e ataques a minorias, lembrar o 9 de novembro é reconhecer que o fascismo não surge de um dia para o outro — ele se constrói pela indiferença, pelo silêncio e pela relativização da violência.

Assim, combater o ódio é uma escolha política e moral: exige educação, memória ativa e reação firme sempre que a dignidade humana for ameaçada.

Ignorar os sinais do passado é abrir espaço para que eles se repitam.

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