Cunha Couto

Gestor de Crises

Guerra não é videogame

Design sem nome (37)

A divulgação, pela Casa Branca, de imagens reais de ataques militares contra o Irã, com mísseis em ação e vítimas fatais, reacende um debate essencial sobre os limites éticos da comunicação em tempos de conflito. A guerra, por sua própria natureza, já carrega destruição, sofrimento e perda. Transformá-la em espetáculo visual amplia ainda mais a banalização da violência.

Não é aceitável que o bombardeio de uma escola resulte na morte de cerca de 150 pessoas — entre crianças e adultos — e deixe outras centenas de feridos, como se fosse um dado estatístico. Tampouco é normal a transmissão de ataques contra embarcações desarmadas, baseados em suposições, ou a apresentação de operações militares com linguagem simplificada e quase lúdica.

Quando líderes políticos tratam ações de guerra como se fossem movimentos estratégicos de um jogo, reforçam uma perigosa desconexão entre decisão e consequência. A guerra não pode ser reduzida a imagens, números ou “pontuações” de alvos atingidos. Cada ataque representa vidas interrompidas, famílias destruídas e sociedades traumatizadas.

No limite, transformar a guerra em espetáculo é desumanizá-la — e, ao fazê-lo, abre-se espaço para aceitá-la com mais facilidade. É preciso resistir a essa lógica: guerra não é videogame, e tratá-la como tal é um grave erro moral e político.

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