Cunha Couto

Gestor de Crises

Gaza

CCBlog321

Vinte anos após a retirada israelense, a fome volta a ser arma de guerra.

Em 22 de agosto de 2005, após 38 anos de ocupação, os últimos colonos israelenses deixaram Gaza. O fato foi visto como chance de autonomia para os palestinos. Duas décadas depois, a realidade é oposta: em 2025, Gaza enfrenta não só cerco militar, mas também a ameaça de nova retirada forçada, conduzida pelas tropas de Benjamin Netanyahu.

Hoje, a crise humanitária atinge níveis alarmantes. Relatório do Escritório de Coordenação Humanitária da ONU, publicado em agosto, aponta uma morte por fome a cada seis horas. Desde julho, 204 pessoas sucumbiram à escassez de alimentos, 51 delas crianças — média de quatro vítimas diárias.

Esses dados mostram que, nos últimos 50 dias, a situação se agravou de forma dramática. O bloqueio, a destruição da infraestrutura e a limitação da entrada de ajuda humanitária criaram um cenário em que a fome deixou de ser efeito indireto e passou a configurar-se como instrumento de pressão e submissão contra civis.

Duas décadas após a saída dos colonos, Gaza não conquistou a liberdade prometida. Tornou-se palco de ciclos de violência, destruição e, agora, inanição.

A comunidade internacional observa, com indignação, a que Gaza foi reduzida, mas sem força real para romper o cerco. É inaceitável que, no século XXI, crianças morram de fome diante da omissão global.

A história cobrará caro dos que, podendo agir, escolheram o silêncio.

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