Na década de 1990, difundiu-se a ideia de que as fronteiras estavam em vias de desaparecer, devido à construção de um mundo supostamente globalizado e sem barreiras.
O tempo, porém, mostrou que essa previsão era ilusória. As fronteiras não deixaram de existir; algumas foram redefinidas. Longe de se extinguirem, ganharam novas camadas de significado: áreas de livre-comércio, espaços de integração regional, zonas de vigilância migratória e até territórios de militarização.
O exemplo mais evidente está na União Europeia. Ao mesmo tempo em que se ergueu como símbolo da circulação livre de pessoas e mercadorias, também reforçou mecanismos de controle externo.
Em sentido contrário, em várias regiões do planeta multiplicaram-se muros, cercas e dispositivos tecnológicos de segurança, revelando que a fronteira permanece como linha sensível de proteção e disputa.
No Brasil, as fronteiras terrestres, marítimas e aeroespaciais assumem papel ambíguo: são, ao mesmo tempo, barreiras a proteger e pontes para interações estratégicas. A defesa contra ameaças — sejam elas o tráfico ilícito ou a propagação de vírus que não reconhecem limites geográficos — exige integração e cooperação com países vizinhos. O mar territorial e sua zona econômica, assim como o espaço acima do território, ampliam esse conceito, colocando o Brasil diante de desafios que vão além da geografia.
As fronteiras brasileiras revelam-se, assim, espaços estratégicos de defesa, integração e desenvolvimento. O desafio do século XXI não é, portanto, eliminá-las, mas administrá-las de forma criativa e responsável. Mais do que linhas de separação, podem ser catalisadoras de oportunidades.
A questão que se impõe é se teremos a visão de tratá-las apenas como trincheiras contra ameaças ou como plataformas de um protagonismo maior no mundo.