Cunha Couto

Gestor de Crises

Emergência Silenciosa

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O desafio global diante do declínio populacional.

O Japão vive um cenário dramático em sua trajetória demográfica. Em 2024, nasceram apenas 686.061 bebês, enquanto quase 1,6 milhão de pessoas morreram, resultando em um encolhimento populacional de 908 mil habitantes — a maior queda desde 1968. O primeiro-ministro Shigeru Ishiba classificou a situação como uma “emergência silenciosa” e anunciou medidas como creches gratuitas e jornadas de trabalho mais flexíveis. Ainda assim, a realidade é dura: quase 30% da população japonesa tem mais de 65 anos, vilas inteiras se esvaziam e cerca de 4 milhões de imóveis permanecem abandonados.

O fenômeno, no entanto, não é exclusivo do Japão. A Coreia do Sul registra, há anos, a menor taxa de natalidade do mundo, com menos de 0,8 filho por mulher — muito abaixo do índice de reposição populacional de 2,1. Na Itália, o número de nascimentos é o mais baixo desde a unificação do país, e vilarejos oferecem casas por preços simbólicos para atrair novos moradores. A Alemanha, embora mais aberta à imigração, também enfrenta o desafio de manter sua força de trabalho diante do envelhecimento acelerado.

O impacto dessa transição demográfica vai muito além de questões culturais. Sistemas previdenciários pressionados, aumento da demanda por cuidados de saúde, escassez de mão de obra e desequilíbrios fiscais são consequências inevitáveis de uma pirâmide populacional invertida.

A solução parece passar por políticas integradas: incentivo à natalidade, atração e integração de imigrantes, e reformas estruturais no mercado de trabalho, com foco em maior flexibilidade e qualidade de vida.

O mundo assiste a essa mudança silenciosa, mas de consequências ruidosas. Países que não enfrentarem de forma estratégica o declínio populacional verão seus sistemas sociais e econômicos fragilizarem-se, tornando-se vulneráveis a choques externos e crises internas.

O caso japonês serve como espelho — e como aviso — para nações que ainda acreditam que este é um problema distante.

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