Em 24 de fevereiro de 2026, a invasão iniciada pela Rússia contra a Ucrânia completou quatro anos, consolidando-se como o mais grave conflito interestatal em solo europeu desde 1945. O que Moscou chamou de “Operação Militar Especial” revelou-se uma guerra prolongada, de elevado custo humano, material e político.
Ao lançar a ofensiva, o presidente Vladimir Putin parece ter apostado em uma campanha-relâmpago, subestimando a capacidade de resistência ucraniana e a coesão inicial do Ocidente. Quatro anos depois, o Kremlin não alcançou seus objetivos político-estratégicos centrais. Em vez de uma vitória decisiva, consolidou-se uma estratégia de avanço gradual e custoso — uma “vitória progressiva” baseada na guerra de atrito. Estimativas apontam mais de um milhão de baixas russas entre mortos e feridos, com crescentes dificuldades de reposição de tropas.
A aposta deslocou-se para o desgaste da Ucrânia e para a erosão do apoio externo a Kiev. Incluindo a Crimeia, Moscou controla cerca de um quinto do território ucraniano. Em 2025, manteve a iniciativa operacional, com avanços limitados no Donbass, apoiados pela recomposição industrial, pelo uso massivo de drones e pela introdução de novos sistemas, como o míssil balístico intermediário “Oreshnik”. No plano interno, as sanções foram parcialmente mitigadas por reorientação comercial e mobilização do complexo industrial de defesa, embora à custa de juros elevados, pressão fiscal e crescente dependência da China.
Do lado ucraniano, o cenário tornou-se mais desafiador. A redução do apoio dos Estados Unidos, após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, pressionou a União Europeia a assumir maior protagonismo — movimento dificultado por divergências internas. Ainda assim, a guerra reconfigurou o continente: Finlândia e Suécia ingressaram na OTAN, e os gastos militares europeus cresceram de forma significativa.
No domínio marítimo, o Mar Negro tornou-se eixo estratégico. Apesar da superioridade naval russa, ataques ucranianos com drones marítimos e mísseis atingiram alvos sensíveis, elevando o risco operacional e limitando a liberdade de ação de Moscou.
Quatro anos depois, a Rússia não venceu — porque seus objetivos políticos não foram alcançados. A Ucrânia resiste — mas paga preço altíssimo. A questão central já não é apenas militar: é política. Quem terá disposição estratégica para sustentar, por mais tempo, custos humanos e econômicos dessa magnitude? Em guerras prolongadas, vence não apenas quem avança no terreno, mas quem mantém coesão interna, legitimidade e apoio externo. E isso, até agora, permanece em aberto.