Cunha Couto

Gestor de Crises

A atualidade de Ruy Barbosa

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Ruy Barbosa, jurista, político, diplomata e um dos grandes intelectuais brasileiros, foi um pensador atento aos riscos que ameaçam a soberania nacional e a dignidade humana. Suas frases, embora escritas há mais de um século, mantêm-se atuais, iluminando os dilemas do Brasil contemporâneo.

Em suas Cartas de Inglaterra (1896), ele adverte:

“A fragilidade dos meios de resistência de um povo acorda nos vizinhos mais benévolos veleidades inopinadas. Converte contra ele os desinteressados em ambiciosos, os fracos em fortes, os mansos em agressivos.”

Essa reflexão aponta para um fenômeno recorrente na história das nações: a fraqueza de um país – seja militar, econômica ou moral – tende a despertar o apetite expansionista ou oportunista de outros. A ausência de preparo no cenário internacional transforma até os aliados em potenciais ameaças.

Ou seja, Ruy enxergava, já no século XIX, que a soberania não se preserva apenas com discursos patrióticos, mas com instituições sólidas, economia estável e força moral no concerto das nações.

Outro de seus alertas eternizados é a denúncia da apatia cívica:

“De tanto ver triunfar as nulidades, prosperar a desonra, crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, a envergonhar-se da honestidade e a ter vergonha de ser honesto.”

Esse lamento denuncia a corrosão dos valores morais e o desencanto com a vida pública. Quando a sociedade normaliza a corrupção e se resigna diante da injustiça, abre-se espaço para a degradação ética e institucional.

Por fim, Ruy nos oferece um ensinamento de coragem:

“Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado.”

Num tempo em que muitos se omitem diante das dificuldades do país, essa frase é um chamado à ação. Não lutar é compactuar com o erro. Em tempos de crise, conformar-se é abdicar do futuro.

Portanto, as palavras de Ruy Barbosa não são apenas relíquias retóricas de um passado distante, mas faróis morais e políticos que ainda podem guiar o Brasil. Elas alertam que a omissão, a fragilidade institucional e a perda de valores custam caro. Se quisermos evitar “veleidades inopinadas”, precisamos fortalecer nossas defesas: não apenas armas e economia, mas sobretudo a cultura democrática, a ética pública e a consciência cidadã.

Ruy ainda fala, e o Brasil ainda precisa ouvi-lo.

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