Taiwan pretende transformar o estreito que a separa da China em um obstáculo à invasão. Inspirada nas lições da guerra na Ucrânia, aposta em numerosos drones aéreos e navais para vigiar, atacar e elevar as perdas de uma força invasora. A estratégia, chamada hellscape, busca fazer com que Pequim considere alto demais o custo de uma ofensiva.
Para tanto, o governo taiwanês projeta produzir 100 mil drones por mês até 2030, destinando metade à exportação. Também propôs adquirir cerca de 210 mil unidades para suas Forças Armadas, embora o financiamento desse plano esteja em disputa no Parlamento.
Contudo, a indústria de Taiwan já ganhou impulso: o valor exportado no primeiro trimestre de 2026 superou o de todo o ano anterior.
A experiência ucraniana mostra por que a quantidade importa. Drones relativamente baratos podem ameaçar blindados e navios muito mais caros. Mas a produção de drones, por si só, não garante eficácia: é preciso treinar operadores, integrar os sistemas às demais forças e prepará-los para atuar sob interferência eletrônica. É claro que o adversário também aprende e desenvolve suas defesas.
A meu ver, o maior valor dos drones estaria em sua capacidade de evitar a guerra.
Se os drones tornarem uma invasão mais lenta, incerta e custosa, poderão fortalecer a dissuasão de Taiwan. Só que, para isso, os números anunciados precisam converter-se em meios confiáveis, empregados por forças preparadas.