Uma crise que mudou a História
Em 1º de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, por volta das 9h30, um violento terremoto atingiu Lisboa. Ao abalo seguiram-se um tsunami e incêndios, que devastaram grande parte da capital portuguesa. A tragédia deixou milhares de mortos e abalou as certezas de uma Europa profundamente religiosa: por que Deus permitiria tamanha destruição quando tantos fiéis estavam nas igrejas?
O desastre alimentou debates filosóficos e estimulou a investigação das causas naturais dos terremotos. A coleta de relatos e o estudo dos danos contribuíram para o desenvolvimento da sismologia.
Diante disso, sob a liderança de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, a reconstrução incorporou planejamento urbano e soluções de resistência aos abalos.
A família real sobreviveu em Belém. Entretanto, temeroso das construções de alvenaria, D. José I passou a viver na Real Barraca da Ajuda, um palácio construído sobretudo de madeira, que acolheu a corte até ser destruído por um incêndio, em 1794.
Portanto, Lisboa ensina que governar uma crise exige amparar as vítimas e transformar o sofrimento em aprendizado. A fé pode oferecer consolo; à gestão pública cabe reduzir vulnerabilidades.
Recordar 1755 deve ser, sobretudo, um compromisso com a prevenção.