O mundo tem data para acabar: 13 de novembro de 2026, uma sexta-feira. Pelo menos é o que sugere o título provocativo de um estudo publicado na revista Science, em 4 de novembro de 1960. Seus autores, Heinz von Foerster, Patricia Mora e Lawrence Amiot, da Universidade de Illinois, projetaram o crescimento populacional e chegaram a uma conclusão surpreendente: naquela data, a população tenderia ao infinito.
A humanidade morreria “espremida”? A imagem alimentou o catastrofismo, mas exige esclarecimento. O infinito era um resultado da equação, condicionado à continuidade da tendência então observada.
Entretanto, uma singularidade matemática não equivale a um acontecimento fisicamente possível.
Nas décadas seguintes, a queda da fecundidade modificou a trajetória demográfica. A projeção da ONU de 2024 aponta para um pico de aproximadamente 10,3 bilhões de habitantes em meados da década de 2080. Nenhuma multidão infinita, portanto, ameaça nos esmagar em novembro.
A meu ver, o episódio ensina a distinguir ciência de espetáculo. Modelos ajudam a compreender tendências, mas suas conclusões dependem de hipóteses que a realidade pode alterar. Diante de anúncios apocalípticos, convém trocar o susto pela pergunta: quais dados e condições sustentam essa previsão?
Portanto, o pensamento crítico continua sendo um excelente antídoto contra o medo.
Só para ser levado em consideração: há cerca de 70 conflitos regionais em curso, alguns com ameaça de uso de armas nucleares…
Fontes: estudo original publicado na Science e projeções da ONU.