Em 25 de outubro de 1927, o transatlântico italiano Principessa Mafalda naufragou diante da costa baiana. Vindo de Gênova com destino a Buenos Aires, levava sobretudo emigrantes em busca de uma nova vida. Seu nome homenageava a segunda filha do rei Vítor Emanuel III.
A ruptura do eixo de uma das hélices provocou danos no casco e a entrada de água pela popa. Embora o afundamento tenha levado horas e outros navios tenham prestado socorro, o desastre deixou mais de 300 mortos, incluindo o comandante. A lentidão do naufrágio não bastou para assegurar o salvamento de todos.
O destino de seu navio gêmeo também fora trágico: o Principessa Jolanda adernou e afundou durante o lançamento ao mar, em setembro de 1907, no estaleiro de Riva Trigoso. Problemas de estabilidade comprometeram aquela estreia.
Uma coincidência liga o Mafalda à história do papa Francisco: seus familiares pretendiam emigrar naquele navio, mas dificuldades para concluir negócios na Itália adiaram a viagem. Nove anos depois, o papa Francisco nasceu, em segurança, em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936.
A meu ver, essas tragédias lembram que a segurança depende de manutenção, preparo e decisões responsáveis. Nas crises, o socorro é indispensável, mas não substitui a prevenção. O dever de quem conduz vidas humanas começa muito antes do primeiro sinal de perigo.