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Portugal: Da monarquia à República

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Em 5 de outubro de 1910, Portugal implantou a República, encerrando séculos de monarquia. A mudança alcançou os símbolos nacionais: bandeira, hino e, posteriormente, moeda. Na Armada, o cruzador Dom Carlos I passou a chamar-se Almirante Reis. O “Hino da Carta”, composto por D. Pedro I do Brasil, também D. Pedro IV de Portugal, cedeu lugar a “A Portuguesa”.

Um brasileiro presenciou essa virada histórica: Hermes da Fonseca. Eleito presidente em março de 1910, viajou à Europa antes da posse. No regresso, a bordo do encouraçado São Paulo, fez escala em Lisboa, onde foi recebido com honras no Palácio de Belém e participou de um jantar oferecido pelos monarcas portugueses.

Chegou sob o cerimonial da monarquia e partiu com a República proclamada. O São Paulo, recém-incorporado à Marinha brasileira e uma das mais modernas belonaves de seu tempo, tornou-se testemunha daquele momento. Serviria ao Brasil até 1947.

Hermes, que participara da proclamação republicana brasileira ao lado do tio Deodoro, assistiu também à queda da monarquia portuguesa.

Essa coincidência convida à reflexão: considero que substituir nomes, bandeiras e hinos tem força simbólica, mas a legitimidade de um regime depende de suas realizações. A verdadeira mudança se mede pela liberdade, pela justiça e pelo bem-estar que oferece ao povo.

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