As diversas sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra o Irã voltam a demonstrar que o poder econômico de uma grande potência não é exercido de forma isolada. A chamada “Operação Pária Econômico” atinge militares, empresas, embarcações e setores estratégicos iranianos, como tecnologia, criptomoedas, ouro, aviação e navegação.
Entretanto, Washington evitou confrontar diretamente a China, principal compradora do petróleo do Irã.
Essa cautela revela os limites das sanções unilaterais. Para produzirem resultados efetivos, elas dependem da cooperação de outros países, do controle dos fluxos financeiros e da capacidade de impedir rotas alternativas de comércio.
China e Rússia já manifestaram resistência, enquanto Teerã afirma estar preparado para suportar as restrições e ameaça retaliar. A tensão alcança também o Estreito de Hormuz, passagem estratégica para o petróleo mundial, ampliando os riscos à navegação e à economia internacional.
O mesmo instrumento de pressão aparece na disputa comercial com o Canadá. A ameaça de elevar tarifas sobre automóveis, caminhões e autopeças canadenses provocou reação do governo de Mark Carney, que prometeu responder na mesma proporção. O confronto ameaça o comércio integrado da América do Norte e expõe divergências que ultrapassam a economia, envolvendo soberania, identidade cultural e a proteção do idioma francês em Quebec.
Em minha opinião, sanções e tarifas podem ser instrumentos legítimos de política externa, mas perdem eficácia quando substituem a diplomacia e atingem indistintamente aliados e adversários.
O poder econômico norte-americano continua imenso, porém não é absoluto: quanto maior a resistência internacional, maior o risco de a coerção fortalecer alianças alternativas, prejudicar populações e aprofundar exatamente as crises que pretendia resolver.