Cunha Couto

Gestor de Crises

Ética em um conflito armado

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As Convenções de Genebra nasceram de uma pergunta que continua atual: é possível impor limites à barbárie da guerra?

Desde 1864, essas convenções procuram responder que sim. Seu objetivo central é proteger aqueles que não combatem — civis, profissionais de saúde, agentes humanitários, náufragos, feridos e prisioneiros de guerra — e impedir que os conflitos armados se transformem em licença irrestrita para matar, torturar ou destruir.

Ao longo do século XX, as Convenções e seus Protocolos Adicionais ampliaram a proteção aos civis, proibiram o uso de armas que provoquem sofrimento desnecessário, vedaram ataques a hospitais, navios-hospital e equipes médicas, além de garantirem direitos mínimos aos prisioneiros de guerra. Também estabeleceram o papel da Cruz Vermelha Internacional, autorizada a visitar detidos e a prestar assistência humanitária em ambos os lados dos conflitos.

Entretanto, as guerras atuais mostram o quanto a distância entre a norma e a realidade continua grande.

Na guerra entre Rússia e Ucrânia, multiplicam-se denúncias de ataques a hospitais, bombardeios contra áreas civis, deportações forçadas e maus-tratos a prisioneiros. Já no confronto entre EUA/Israel e Irã, voltam a surgir temores sobre ataques a instalações nucleares, danos ambientais de longa duração, destruição de infraestrutura civil e mortes de não combatentes.

As Convenções de Genebra não são uma utopia inútil. Elas não impedem a guerra, mas criam um padrão mínimo de civilização em meio ao caos. Sem elas, haveria ainda menos limites, menos fiscalização e menos possibilidade de responsabilizar criminosos de guerra. O problema é que, hoje, muitos líderes parecem acreditar que a urgência militar, a propaganda ou o desejo de vingança justificam qualquer ação. Quando isso ocorre, a guerra deixa de ser apenas uma disputa de poder e passa a ser um processo de desumanização progressiva, no qual todos perdem, inclusive quem imagina ter vencido.

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