Por ocasião da divulgação, em 5/12, da nova estratégia de segurança dos Estados Unidos, parece oportuno recordar aquela que orientou a política norte-americana há 130 anos.
Em 6 de dezembro de 1904, o presidente Theodore Roosevelt apresentou ao mundo o chamado Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe. A nova formulação ampliava o princípio original — segundo o qual potências europeias não deveriam intervir nas Américas — para afirmar que os próprios Estados Unidos assumiriam o papel de “polícia” do Hemisfério Ocidental sempre que considerassem que governos latino-americanos fossem incapazes de manter a estabilidade interna ou de honrar compromissos externos. Tratava-se, na prática, da legitimação de intervenções preventivas e de um marco decisivo da projeção de poder norte-americana na região.
Poucos anos depois, em 16 de dezembro de 1907, Roosevelt reforçou essa mensagem com um gesto de força global: enviou a Great White Fleet — composta por 16 encouraçados e dezenas de navios de apoio — em uma circum-navegação que só se encerraria em fevereiro de 1909. A expedição tinha caráter simbólico e estratégico: demonstrar ao mundo a capacidade logística e militar dos Estados Unidos, além de afirmar sua ascensão como potência naval.
Passado mais de um século, muitos analistas identificam no comportamento atual dos EUA ecos diretos do corolário de 1904 — uma combinação de tutela regional, projeção militar e defesa de interesses próprios sob o argumento da estabilidade hemisférica. A história, contudo, sugere que tal postura, embora eficaz para afirmar poder, tende a alimentar tensões e ressentimentos duradouros. O desafio contemporâneo é saber se Washington está disposto a revisar esse legado ou se continuará a operar sob a lógica, explícita ou não, de Roosevelt.