O movimento Mulheres Vivas emerge como uma resposta necessária à grave crise de segurança pública relacionada à violência de gênero no Brasil. Estupros, feminicídios e agressões seguem em patamares alarmantes, agora agravados por uma cultura misógina disseminada nas redes sociais, onde discursos violentos se escondem sob o anonimato e, muitas vezes, são celebrados por grupos que os naturalizam.
Os dados de 2024 são contundentes: 87.545 mulheres estupradas, segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e 1.459 feminicídios registrados pelo Ministério da Justiça. Embora haja crescimento nas denúncias — possivelmente reflexo de maior conscientização e do fortalecimento de redes de apoio — o país ainda enfrenta a persistência da impunidade, do medo e da banalização da violência.
A colunista Carla Jimenez, citando Carol Althaller, diretora-executiva do Instituto Update, argumenta que penas mais severas não resolvem o problema por si só, pois a violência contra a mulher é estrutural e cultural. Para avançar, é preciso ampliar investimentos em políticas de proteção, fortalecer redes de acolhimento e garantir maior presença feminina nos espaços de decisão.
A realidade é incômoda, mas inescapável: nenhuma sociedade pode se declarar moderna ou justa enquanto mulheres continuam morrendo por orgulho ferido, controle e ódio.
Portanto, combater essa violência exige mais do que leis — exige coragem moral, compromisso público e uma profunda mudança de mentalidade, especialmente entre os homens. Sem isso, continuaremos contando vítimas, quando deveríamos estar garantindo vidas.